O tema desta proposta é um diálogo entre opostos: tradição e contemporaneidade, construção e natureza, unidade e fragmentação, presença e ausência, arranha-céus e parque.



This proposal is about a serene dialogue between opposites: tradition and contemporaneity, construction and nature, unity and fragmentation, presence and absence, skyscrapers and park.

Cette proposition n’est autre qu’un subtile dialogue entre des opposés qui se confrontent et se répondent pour mieux s’accorder. Traditionnel et contemporain, construit et naturel, unité et fragmentation, présence et absence, gratte-ciel et parc verdoyant : autant de différences qui nourrissent  et enrichissent ce projet.


O Central Park de Songdo é uma vasta área verde urbana rodeada de edifícios charneira de grande qualidade arquitectónica, como o Centro Cultural TriBowl que confronta o Museu, e contrasta com um impressionante cenário de fundo de edifícios de grande altura.

Considerando a natureza do lugar pareceu fundamental que esta proposta fosse uma sequência do papel que o Central Park tem na cidade, um espaço aberto que não só oferece a este centro urbano em ascensão a oportunidade de respirar mas é também um ponto de observação privilegiado sobre a paisagem urbana de Songdo.

Assim, esta construção deveria apresentar-se como parte orgânica do parque: a sua cobertura é parte integrante da vegetação do parque, percursos pedonais e cicláveis passam sobre e através do Museu, e a sua fachada transparente emerge delicadamente em harmonia com a água e a vegetação.


Songdo’s Central Park is a vast green area surrounded with high quality architectural landmarks, such as the TriBowl Cultural Center opposite to the site, and contrasts with an impressive background of high-rise buildings.
Considering the nature of the place it seemed fundamental that this proposal was a sequence of Central Park’s role in the city, an open space that not only provides a breathing room in this ascending urban life but also serves as a vantage viewing point for Songdo’s landmarks.
Being so, this construction had to present itself as an organic part of the park: its roof is embedded in the park’s vegetation, walking and cycling paths go over and though the Museum, and its transparent façades lightly emerge in harmony with the water and greenery.

Le “Central Park” de Songdo est une vaste étendue de verdure, entourée par un paysage au profil architectural riche. Celui-ci se compose entre autres du centre culturel TriBowl qui fait face au musée et qui contraste avec l’arrière plan impressionnant modelé par de hauts immeubles.
Considérant la nature de cet endroit, il apparaissait fondamental d’intégrer ce projet de manière à ce qu’il fasse faire partie intégrante du parc mais aussi de la ville. L’enjeu était d’offrir un espace ouvert, un véritable poumon au cœur de cet environnement urbain mais également un observatoire proposant d’avantageux points de vue sur le paysage de Songdo. Ce musée donne à voir au delà des limites du parc et invite le visiteur à un véritable voyage dans cette ville.
Suivant ces principes, le musée se devait de s’ancrer de manière organique et symbiotique à son environnement naturel, c’est pourquoi le toit du musée a été végétalisé afin que celui-ci se fonde harmonieusement dans la verdure du parc qui l’accueille. Des sentiers de promenade bordent le musée, le traversent et soulignent ainsi ses façades transparentes qui s’effacent pour laisser s’exprimer le reflet apaisant de l’eau se mêlant aux dégradés verdoyants du parc.


No que diz respeito ao seu uso, o Museu representa a fronteira entre cidade e natureza, sendo o dispositivo de ligação entre o construído e o natural. O acesso a partir da rua é elevado, desenhando uma praça que integra a cidade mas posiciona-se acima da sua agitação, adiando a percepção da grande relação visual que o Museu estabelece com a água.

Sendo tanto um edifício como um parque caminhável, o museu relaciona-se num sentido abstracto -mas com consequências palpáveis- com as Hanok próximas e com a filosofia arquitectónica vernacular da Coreia. Informa-se na morfologia do território, revisitando e contrastando os novos símbolos da cidade com os seus símbolos naturais. Os arranha-céus tomam o lugar das montanhas, enquanto que o Museu se posiciona no seu sopé, voltado para um espelho de água que se une ao lago em frente.

Tal como a herança sustentável das Hanok, esta composição permite que o Museu tome partido de ventilação natural na totalidade do seu interior, permitindo o arrefecimento do ar movendo-se sobre os corpos de água. A cobertura plantada, em balanço, sombreia o edifício nas horas em que o sol está mais alto e dota o edifício de uma excelente inércia térmica. A água da chuva é recolhida e filtrada pela cobertura vegetal.


Regarding its use, the Museum represents a frontier between city and nature, being the connecting mechanism between built and unbuilt. The access to the street entrance is raised, designing a plaza that is part of the city but above the city turmoil and delaying the realization of the Museum’s great relationship with the water views.
Both a building and a pedestrian park, it relates in an abstract sense -but with very palpable consequences- with the Hanok’s nearby and Korean’s vernacular architectural philosophy. It takes account of the territory’s morphology, revisiting and contrasting the new symbols of the city with the natural ones. The skyscrapers take the place of the mountains while the Museum places itself at their feet, facing a water mirror that connects with the water body just in front.
Like the Hanok’s sustainable heritage, this arrangement allows the Museum to take advantage of natural ventilation across its entirety, having the moving air refreshed by its travel over the water bodies. The planted, overhanging rooftop shades the building while the sun is high and specially provides great thermal inertia to the building. Rainwater is collected from the green roof.

Considérant l’usage qui lui a été attribué, ce projet incarne une frontière entre la ville et la nature, et sert d’intermédiaire entre le construit et le naturel, le minéral et le végétal. L’accès par la rue est élevé et forme une place qui, bien qu’intégrée à la ville, offre cependant un exutoire aux tumultes de celle-ci. Cette entrée dans le bâtiment, ainsi que les reflets du musée dans l’étendue d’eau qui le tutoie, retarde judicieusement la découverte du visage de l’édifice.
Servant à la fois de bâtiment culturel et de support de balades pédestres, ce musée fait écho, de manière abstraite mais conséquente, au village Hanok ainsi qu’à la philosophie vernaculaire Coréenne. Le projet prend en compte la morphologie du site, revisitant les nouveaux symboles de la ville en les fusionnant subtilement avec ceux de la nature. Les gratte-ciel en arrière plan incarnent les montagnes tandis que le musée s’implante à ses pieds, se reflète dans le miroir d’eau en connexion directe avec la rivière qui lui fait face.
Cette disposition permet au musée de bénéficier de la ventilation naturelle qui s’opère sur toute sa longueur grâce au rafraîchissement de l’air ambiant par la présence d’eau au bord du musée. Le toit végétalisé surplombant le musée permet de lui fournir de l’ombre lorsque le soleil est au zénith et participe également à fournir une bonne inertie thermique à l’ensemble du bâtiment. L’eau de pluie, quant-à elle, est collectée par le sol enherbé du toit.


O desenho é gerado pelo lugar -os limites do terreno, as formas fluídas do parque, uma topografia recriada que enriquece a relação entre cidade e parque- com percursos que ligam interior e exterior do Museu num único gesto. Este percurso simples e contínuo permite que um visitante possa apreciar simultaneamente o programa museológico, interagir com os vários serviços complementares que o Museo fornece, e celebrar o espaço natural exterior do parque.

O espaço central do Museu serve como ponto de partida a todas as suas funções, como esperado, mas também como espaço mediador entre o contexto urbano a norte e a envolvente natural a sul. À medida que descemos para este espaço central somos surpreendidos por uma visão majestosa do parque, enquanto o espelho de água inunda o espaço com o jogo de reflexos da luz sobre a água, ligando o espaço interior à natureza que o circunda.


Its design is generated by the place -the plot limits, the sweeping shapes of the park, a recreated topography that enriches the relationship between city and park- with routes that connect the inside and the outside of the Museum in a single path. This simple, continuous path allows a visitor to simultaneously enjoy the museological program, interact with the various complementary functions the Museum provides, and celebrate the park’s natural space outside.
The Museum’s central space acts as a hub between all its functions, as expected, but also as a mediator between the urban setting at north and the natural surroundings facing south. As we go down to the Museum’s hall we are surprised with a majestic view of the park, while the water mirror floods the space with light reflections playing over the water, connecting the interior space with the surrounding nature.

Le design de ce projet est directement inspiré de l’espace dans lequel il s’implante : les limites de la parcelle, les formes généreuses du parc, une topographie qui renforce le lien entre la ville et cette étendue de nature. Les voies d’accès qui connectent l’intérieur et l’extérieur du musée en un seul parcours modèlent également l’esthétique du musée. Cet unique cheminement continu permet aux visiteurs d’apprécier le programme muséologique, d’interagir avec les fonctions diverses et variées que propose le musée tout en profitant du cadre naturel du parc.
L’espace central du musée a été conçu comme le carrefour de toutes ses fonctions, mais également comme un intermédiaire entre le cadre urbain de la ville au nord et les alentours végétalisés au sud. En pénétrant dans le hall d’entrée, on ne peut qu’être ébahit par le spectacle qui s’offre à nos yeux, cette vue majestueuse sur le parc, renforcée par le miroir d’eau qui emplit l’espace de reflets lumineux et qui fait dialoguer harmonieusement intérieur et extérieur. 


A estrutura organiza-se em três “braços” principais, reflectindo a organização interna do Museu.

O espaço central do Museu é simultaneamente o ponto de partida e de chegada dos percursos museológicos, contendo também o café e a loja do Museu assim como outros serviços acessíveis aos visitantes.

O auditório, biblioteca e salas de seminário, embora profundamente integrados no Museu, estão desenhados de uma forma que lhes permite operar, caso necessário, com plena autonomia.

Tanto os espaços de exposição permanente como de exposição temporária conformam-se no seu próprio “braço”. Embora organizados de forma a permitir um único percurso museológico que inclua ambos os espaços sem nenhum tipo de fricção, a exposição temporária pode funcionar de forma totalmente independente, possuindo a sua própria bilheteira e serviços.

Os funcionários do Museu têm ligações próprias, percursos diferenciados e acessos exteriores, e todos os três acessos principais de visitantes ao Museu (a partir do parque, da praça urbana e do espaço de estacionamento) culminam no mesmo ponto, junto da bilheteira.


The structure is arranged over three main “arms”, reflecting the Museum’s interior organization.
The central hall is both a starting and ending point for the museological routes, containing also the Museum’s café and store, as well as other accessible services for the visitors.
The auditorium, library and seminars, while deeply integrated with the Museum, are also arranged in a manner that allows them to operate with complete autonomy if required.
Both permanent and temporary exhibition spaces have their independent “arm”. Though they are arranged in a manner that allows for a single museological route that encompasses both spaces without any friction, the temporary exhibition space can function with total independence, having it’s own ticket booth and services.
Staff have their own direct connections, differentiated routes and exterior entrances, and all three main visitor accesses to the Museum (from the park, the city plaza and the parking space) culminate at the same point, next to the ticket counter.

La structure s’organise autour de trois axes qui reflètent l’organisation du musée.
Le hall central marque à la fois le point de départ du parcours muséal mais également sa fin, et propose aux visiteurs différentes options pour prolonger leur visite : prendre une pause en buvant un café ou bien déambuler dans la boutique par exemple.
L’auditorium, la bibliothèque ainsi que les espaces réservés aux séminaires sont, bien qu’entièrement intégrés au musée, arrangés de manière à leur fournir une totale autonomie en cas de besoin.
Les expositions temporaires ainsi que les collections permanentes ont chacune un axe indépendant. Bien que ces deux espaces aient été conçus de manière à fluidifier le parcours du visiteur pour qu’il ne rencontre aucune interruption, l’espace réservé aux expositions temporaires peut fonctionner de manière totalement indépendante grâce à sa billetterie et services autonomes. 
Le personnel bénéficie d’une circulation privée, avec des entrées et des voies qui leurs sont strictement réservés. Les trois accès principaux pour les visiteurs (par la place, le parc ou le parking), se rencontrent en un même point, un espace d’accueil duquel ils peuvent obtenir leur entrée.


De certa forma, era necessária uma presença serena, silenciosa na paisagem: o resultado é um edifício horizontal cuja estrutura não se impõe sobre o parque nem tenta competir com as referências arquitectónicas circundantes. É, no fundo, uma conversa amena entre a Coreia do Sul e o Mundo.


In a sense, this design had to be a silent, serene presence in the landscape: it’s an horizontal building whose structure doesn’t impose on the park nor competes with the surrounding landmarks. It is, in the end, a gentle conversation between South Korea and the world.

Au final, plutôt que d’imposer sa présence, ce design se veut silencieux, serein et humble pour  s’harmoniser au mieux avec le paysage. L’horizontalité prolonge l’expérience et la structure invite à une symbiose avec les alentours. Ce n’est finalement qu’une douce, subtile et délicate conversation entre la Corée du sud et le monde.


ARQUITETURA: Tiago do Vale Arquitectos
EQUIPA DE PROJETO: Tiago do Vale, Maria João Araújo, Adele Pinna, Camille Martin, Thuy Thu Nguyen, Laetitia Alves, Margarida Moura
CONCURSO: International Competition for the National Museum of World Writing
LOCALIZAÇÃO: Songdo, Coreia do Sul
ORGANIZAÇÃO: Ministério da Cultura, Desporto e Turismo, Coreia do Sul
ANO DE PROJETO: 2017
ÁREA DE CONSTRUÇÃO: 15 680 m2