Há programas que, embora à partida possam parecer pouco interessantes acabam por, inesperadamente, possuir um enorme potencial latente.
Este pequeno complexo agropecuário é exemplo dessa situação: com um programa elementar -pocilga, coelheiro, ovil e galinheiro- sobre um contexto rural muito interessante, com uma forte pendente, muros de suporte graníticos pré-existentes e um cenário de fundo florestal autóctone, o desenvolvimento do seu processo de arquitetura resultou num desenho singular de enormes qualidades.


Tendo como temas o nosso entendimento sobre a arquitetura vernacular (com os materiais correntes disponíveis hoje), os requisitos do seus clientes “não-humanos”, os desafios topográficos e um custo de construção reduzido, o foco centrou-se na produção de um desenho extremamente cuidado.

O complexo faz parte de um programa de equipamento turístico em espaço rural, sendo, portanto, simultaneamente um equipamento agropecuário focado no bem estar dos animais que o habitam e um ponto de interesse para os hóspedes que o visitam. O programa turístico propõe aos seus hóspedes uma experiência do espaço, cultura, sabores, vivências, tradições e conhecimentos da vida rural minhota.


O complexo agropecuário situa-se como contraponto ao programa de hotelaria, afastado dele, sendo os dois programas mediados pela eira pré-existente. Estas modestas construções foram, consequentemente, tratadas com a mesma intensidade com que desenvolveram todas as peças do conjunto turístico.
Sobre socos em betão bruto aparente, colocam-se blocos de cimento cuja métrica define todas as dimensões do conjunto. Os espaços encerram-se com chapa ondulada galvanizada e com panos de rede em losango.
O programa agropecuário integra um percurso por toda a propriedade que liga realidades agrícolas e realidades florestais, e é, ele próprio, desenhado como um percurso ao longo das suas várias peças, complementando a experiência da ruralidade por parte dos hóspedes e permitindo a interação com os animais (especialmente no ovil).


O conjunto culmina no galinheiro que, dramaticamente empoleirado sobre o terreno, é rematado por um mirante junto da copa das árvores.
Produziu-se, assim, um conjunto integrado, em que todas as partes se afirmam, num delicado equilíbrio de forma e proporção, em diálogo com a geografia.

(imagens virtuais)
ARQUITETURA Tiago do Vale Arquitectos
EQUIPA DE PROJETO Tiago do Vale, Paula Campos
ANO DE PROJETO 2023
PROGRAMA Equipamento Agropecuário
LOCALIZAÇÃO Ponte de Lima, Portugal
CLIENTE Privado
ÁREA DE IMPLANTAÇÃO 152 m2
ÁREA DE CONSTRUÇÃO 185 m2