
Este exercício tomou como princípio encontrar a organização mais eficaz, capaz de permitir o número máximo de unidades, maximizando a área construtiva e minimizando as áreas de circulação.
O seu envelope volumétrico máximo é fixado pelo contexto regulamentar, que implica um programa predominantemente residencial.
Em termos volumétricos, apresentamos uma solução de rés-do-chão, primeiro e segundo piso, já que há precedentes nesse sentido na envolvente imediata.
Um afastamento intermédio à via, associado aos afastamentos necessários às construções limítrofes para cumprir com o ensombramento de vãos, gera uma área de implantação possível que fixa os limites da intervenção.
Este cenário (elevação dos apartamentos em relação à via para fins de privacidade, conforto e criação de garagens; proposta de apartamentos em duplex; introdução de pés-direitos generosos) constitui o modelo ideal para o melhor desempenho da proposta.

Tipologicamente, procurou-se a solução de organização para habitação plurifamiliar mais eficiente, com áreas comuns mínimas e circulações simplificadas (o que permite custos menores de construção e uma maior percentagem da área de construção dedicada ao programa residencial, permitindo um maior número de unidades).
Essa solução é a de um edifício em galeria.
Esta tipologia permite que cada prédio seja servido por apenas uma caixa de escadas e, simultaneamente, garante que todos os apartamentos tenham duas frentes (o ideal para a correcta ventilação e iluminação de todos os espaços).
É, igualmente, um tipo de organização que desenvolve o sentido de comunidade e vizinhança, sendo que as galerias constituem um espaço, entre o público e privado, que propicia encontros e incentiva a ocupação coletiva.




Os apartamentos constituem-se numa tipologia T1, de grande eficiência em termos de uso de área, com os espaços sociais voltados para a galeria e os espaços íntimos voltados para o logradouro (bucólico e natural), sendo ambos os espaços intermediados por um bloco de águas que reúne cozinha e instalações sanitárias.


Dotar cada coluna de apartamentos da sua própria cobertura de duas águas permite que se faça esse aproveitamento das águas furtadas que abre porta à tipologia duplex no último piso.
Ao mesmo tempo, no seu conjunto, a leitura deste grupo de coberturas remete-nos à arquitetura industrial dos séculos XIX e XX mas, também, aos bairros operários que circundavam os equipamentos fabris, recuperando a memória da natureza prévia de Gualtar como um dos mais fortes polos industriais do Minho num passado não tão distante de nós.
Esta imagem, estimulantemente diferente do prédio plurifamiliar convencional, não deixa de provocar uma sensação doméstica muito reconfortante, remetendo ao arquétipo quase infantil do que é uma casa, com duas águas e um vão central, constituindo, seguramente, mais um elemento diferenciador e valorizador no mercado habitacional.
