Tendo como ponto de partida as condicionantes do contexto regulamentar aplicável no local, que fixam o “envelope” de possibilidades disponíveis para a proposta de projeto de loteamento, pretende-se produzir um desenho da maior qualidade que, em simultâneo, produza o maior rendimento possível a partir do prédio disponível, das suas circunstâncias e do seu potencial.

Este exercício tomou como princípio encontrar a organização mais eficaz, capaz de permitir o melhor número de unidades, maximizando a área construtiva e minimizando as áreas de circulação.
Embora predominantemente habitacional, é aparente a necessidade de filtrar a relação do espaço de habitação com a Estrada Nacional, o que é alcançado quer através de uma diferença de cotas (que resolve só por si os principais condicionalismos visuais e acústicos dessa relação) quer através da introdução de um programa comercial e de serviços (em dois volumes com 240m3 e 200m2, aproximadamente) que tira o melhor partido das oportunidades positivas que a relação com a via apresenta, permitindo uma progressão mais gradual entre o espaço público e o espaço de habitar.
Esta solução permite desenhar uma frente contínua, conformando um pórtico de acesso ao miolo do loteamento, e criando um forte efeito de transição que anuncia o acesso a um espaço urbano qualificado com características muito especiais.

Este loteamento propõe um desenho de características urbanas, com uma nova centralidade multi-funcional, e espaços públicos, ancorados numa praça e apoiados por equipamentos, comércio, serviços e espaços verdes.
Focado no programa habitacional, inclui também espaços comerciais e um equipamento hoteleiro com cerca de 1000m2 de implantação.



A proposta para as unidades habitacionais centra-se no modelo de Moradia em Banda.
Esta tipologia permite uma maior concentração de construção e um maior número de unidades, mantendo todas as vantagens da moradia unifamiliar.
É uma lógica que resulta num desenho de rua uniforme, caracterizado e reconhecível, melhorando a qualidade urbanística do território, propiciando melhores relações de vizinhança, maior usufruto do espaço público e uma mais forte identificação com o lugar.

Tipologicamente, o desenho de moradia proposto (com cerca de 360m2 de área bruta) permite uma relação controlada (mas desenhada) com a rua, com momentos de relação interior-exterior mais transparentes e com elementos de transição entre o público e o privado que permitem que tanto os habitantes possam tirar partido da vivência urbana como possam, eles próprios, animar a rua com a participação do prolongamento da vida doméstica nos espaços exteriores.
O seu desenho geral é de uma grande flexibilidade, podendo tomar a forma, com subtis alterações, de tipologias T2, T3 ou T4, mantendo todas as suas qualidades de génese e todas as suas características funcionais.
Os alçados, adaptados à pendente das vias, produzem uma imagem contínua e unificada, recorrendo a materiais próprios do lugar e referenciando modelos da arquitetura vernacular local.
Os jardins privados que resolvem a frente dos lotes participam eles próprios do espaço público, minimizando as barreiras entre os dois domínios.

Dito isto, a tipologia estabelece sobretudo uma forte relação com o logradouro tardoz, de maior área e de natureza mais íntima, quer através de uma grande transparência dos espaços interiores para os exteriores, quer pelo prolongamento funcional dos usos sociais de dentro para fora.
A cozinha constitui o coração da casa, remetendo- nos a organizações do passado, com um pé-direito duplo que permite que toda a casa interaja com este espaço.
