A imagem corporativa de uma instituição é, junto com os seus produtos (e as características e particularidades destes) o veículo primário para a comunicação da sua natureza e dos seus valores.

 

No caso de instituições universitárias, produtoras de conhecimento e cultura (bens basilares mas não tangíveis), o desenvolvimento cuidado de tal imagem toma um lugar ainda mais central na forma como a universidade se apresenta e na sua estratégia de comunicação.

Os selos redondos (tradição secular no que diz respeito ao ensino) e os brasões têm sido, por razões históricas, as escolhas mais recorrentes para símbolos de escolas por todo o planeta.

O símbolo da UEFS integra-se nessa tradição, concebido nos anos 70 pelo Irmão Paulo Lachenmayer OSB, monge no Mosteiro de São Bento da Bahia (considerado a maior autoridade em heráldica do Brasil) e proponente do lema «Sitientibus» (aos que têm sede) para a universidade.

Desenhado, em sequência, por Victor Hugo Carneiro Lopes é nessa forma que permanece até aos dias de hoje.

Victor Hugo Carneiro Lopes opta por um escudo arredondado (variação do escudo boleado -ou português- a escolha prevalecente na heráldica portuguesa) e uma expressão altamente decorada dos elementos constituintes do brasão.

Este símbolo, tal como proposto pelo Irmão Paulo Lachenmayer OSB, dá resposta a muitas das premissas de um logótipo adequado a este contexto gráfico:

Integra a universidade no corpo do sistema de ensino superior brasileiro (sendo consistente com o tema do escudo frente a 3 archotes e suportado por faixa onde o lema da instituição é inscrito, tema transversal a muitas universidades do país);

Identifica um sistema de cores a que se associa a escola (uma gama de azuis);

Transmite uma imagem de seriedade, formalidade e profundidade adequada ao ensino superior (recorrendo a dispositivos clássicos como a simetria ou o recurso à linguagem da heráldica);

Introduz elementos diferenciadores que a demarcam de outras escolas que recorrem a imagética semelhante (como o uso da cor azul, o lema ou o conteúdo do escudo).

Contudo, a interpretação de Victor Hugo Carneiro Lopes, embora perfeitamente executada para o uso heráldico, revela algumas dificuldades na sua aplicação no contexto da imagem corporativa de uma instituição:

O grau de detalhe do símbolo é excessivo e perde-se em aplicações de menor formato;

Simultaneamente, não está disponível numa grande gama de resoluções, sendo que a resolução mais alta é gravemente insuficiente para aplicações de maior formato, desde cartazes a outdoors;

Não está disponível num formato vectorial, impossibilitando a sua tradução para o uso em carimbos, bordados em tecido, recortes em vinil (para decoração de viaturas, por exemplo), selos brancos, etc.;

O uso de tons de azul é difuso, não sendo possível associar à universidade um tom de azul definido, específico e preciso;

Não foi concebido para aplicações a apenas uma cor ou a duas cores, frequentemente necessárias para aplicações em que o uso de quadricromia é impossível ou economicamente indesejável;

Alguns dos elementos gráficos aparecem pouco integrados, dotando o símbolo de uma imagem fragmentada (como a faixa do lema, por exemplo);

Finalmente (e, na nossa opinião, fulcralmente), o símbolo não integra nem a sigla nem o nome da universidade, o que gera uma adição aleatória e inconsistente destes elementos por parte dos utilizadores (quer no seu posicionamento quer no tipo de letra escolhido) diluindo, no processo, a imagem da universidade, podendo comunicar falta de rigor, consistência e profissionalismo à sua audiência.

A UEFS vem vivendo, presentemente, uma era de evolução, transformação e recriação com efeitos amplamente positivos na imagem e prestígio da universidade: nenhum momento será tão oportuno como este para valorizar a sua imagem gráfica, reflectindo, num paralelo com a universidade, a forma como a escola se reinventou assente nos valores que a fundaram.

Propomos, portanto, um regresso ao conceito original do Irmão Paulo Lachenmayer OSB, mas desta vez pensado deste o primeiro momento para se adequar a todo o tipo de potenciais aplicações próprias de uma instituição como a UEFS e com um grau de detalhe adequado para o seu uso como símbolo.

Desenhámo-lo de forma a não perder nenhuma da sua capacidade de comunicação mesmo quando é apresentado a uma única cor, possibilitando, por exemplo, ganhos económicos em impressões ou permitindo aplicações como carimbos ou selos brancos.

Optamos por um diferente desenho do escudo -do tipo português (boleado) para o tipo clássico (lanceolado, base da tradição heráldica)- o que permite integrar a faixa do lema no desenho geral do símbolo.

Propomo-lo em formato vectorial (que dará resposta não só ao problema da sua inexistência neste formato, mas também ao problema da disponibilidade do símbolo em várias resoluções, já que um símbolo vectorial tem resolução virtualmente infinita e pode ser traduzido em bitmaps de qualquer resolução).

Definimos um tom de azul específico (assim como um azul auxiliar) no sentido de definir um tema cromático para a escola e diferenciar a imagem da instituição de outras.

Integramos a sigla da UEFS no símbolo e desenvolvemos uma versão deste com o nome da instituição por extenso, recorrendo a dois círculos na fronteira exterior (repetições da pérola do escudo) para integrar o texto e definir os limites do logótipo.

O tipo de letra eleito para o brasão e textos acessórios é o Garamond, tipo clássico, serifado, formal, mas com detalhes que dotam a tipografia de uma frescura e contemporaneidade acrescida (e inesperada nesta família de tipos de letra).

A tipografia integrada no símbolo exprime-se, intencionalmente, com alguma contenção, propiciando uma primeira leitura do conjunto como um todo.

Compreendendo a transformação da UEFS nos últimos anos, e admirando a sua exigente demanda pela excelência, cremos que esta universidade merece, também, uma imagem corporativa que reflita estes novos desafios, capaz de satisfazer todas as necessidades funcionais a que o seu símbolo deve dar resposta, assim como um logótipo claro, preciso, definido, consistente, virado para o futuro e à prova da passagem do tempo.

Afinal, o símbolo é -mesmo sem o pensarmos- o primeiro elemento na comunicação entre universidade e sociedade.

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