Esta pequena jóia da arquitectura rural minhota, construída em madeira de carvalho e com cobertura em telha de Marselha, representa uma resposta muito criativa e genuína a necessidades que ainda fazem parte da nossa memória colectiva mas combinadas, aqui, de forma original e inesperada.

Debaixo de uma cobertura única que os reúne -e que é, ela própria, um pombal- aparecem dois espigueiros, com as proporções volumétricas esperadas da sua tipologia tradicional. O espaço coberto entre ambos é um misto de eira e sequeiro, cuja ventilação é controlada por dois grandes painéis basculantes que ora abrem ora encerram o espaço.

Este “espigueiro-pombal-sequeiro” é um objecto precioso e invulgar, mesmo se singelo e de pequena dimensão.

Abraçamos a sua reconstrução redesenhando todo o minucioso trabalho de carpintaria que o caracteriza e introduzindo, de forma discreta, pequenas transformações que permitirão aceder e ocupar estes espaços -agora esvaziados das suas funções originais- de maneira mais simples, apresentando o espigueiro como forma icónica na paisagem.