Museu da Cerca em destaque na Revista Anteprojectos de Janeiro de 2016.



Esta proposta é resultante de três circunstâncias particulares do contexto onde se insere: o carácter único do lugar, o tema do museu e a dimensão e características do seu programa.

Partilhando uma impressionante e bucólica vista sobre a planície alentejana com as ruínas do Castelo de Montemor-o-Novo -um local de enorme herança cultural e significado histórico- o lugar permite uma relação sem paralelo entre arquitectura, paisagem, História e construção pré-existente.

Tanto o facto do tema do museu ser o lugar como a flexibilidade do seu programa permitiram a oportunidade de propor um museu que quebra com alguns dos paradigmas esperados de um projecto deste tipo.

Estabelecendo um diálogo com a História e as ruínas, o museu desenhou-se como uma reconstrução de parte da muralha desaparecida mas assumindo, ao mesmo tempo, através do seu acabamento dourado flutuando sobre um espelho de água, que é sobretudo uma justaposição entre as pré-existências históricas e uma ideia onírica que conversa com elas.

Quebrando a convenção de espaços museológicos encerrados sobre si mesmos, o desenho propõe permitir que o lugar invada a exposição, colocando paisagem e peças museológicas lado a lado, e alinhando todos os aspectos públicos do programa num único espaço contínuo, integrado pelo percurso museológico, permitindo que cada parte do museu o anime como um todo, enriquecendo a experiência da visita.