Foi com muito prazer que participamos na celebração dos 25 anos da Revista Anteprojectos.


Banhos de Caracalla


Durante os últimos 25 anos, a revista Anteprojectos tem preenchido um lugar único na comunicação na área da construção.

Ao contrário da maioria das publicações de arquitetura, assentes na exposição (abstrata e perfeita) do produto acabado, a Anteprojectos tem sido um momento de enorme transparência democrática, expondo processos de projeto dos vários intervenientes da construção e nos mais variados estádios de desenvolvimento.

Esse papel é de superior importância: construir seja o que for consome recursos consideráveis. Mesmo um modesto edifício precisa de desenho, engenharia, financiamento e licenças mesmo antes de ser construído. Dependendo da dimensão do projeto, pode envolver o trabalho de dezenas ou centenas de pessoas e um custo de, potencialmente, milhões.

Depois de terminado, provavelmente sobreviverá a todos os que o desenharam, calcularam e construíram, aos que escreveram e aplicaram as leis, normas e regulamentos que cumpriu, e continuará em uso muito tempo depois do desaparecimento daqueles que o encomendaram e pagaram.

É por isso que o desenho do ambiente construído que nos rodeia não pode ser atalhado (por vistas curtas, interesses paroquiais, ignorância, apatia, corrupção ou ganância) como tantas vezes é, e é por essa razão que é importante explicitar, como a Anteprojectos tem feito, as razões e os procedimentos que o geram.


A forma como nos relacionamos com a arquitetura é diferente da forma com que nos relacionamos com qualquer outra arte. A arquitetura afeta-nos permanentemente, mesmo quando não lhe damos atenção, e molda as nossas vidas e as escolhas que fazemos todos os dias. Afeta o nosso humor, as nossas emoções e a perceção que temos de nós mesmos e do nosso corpo no espaço. Acima de tudo, dá forma à narrativa da nossa vida.

É comum considerar que recorrer a um profissional altamente especializado na arte de desenhar as construções é uma despesa desnecessária.

Se aprendemos algo nos últimos 25 anos é que os indivíduos não são atores racionais na sua relação com os espaços.

A questão central (que ninguém pergunta) é como é que o desenho afeta as pessoas.

É conhecido que emoções positivas prolongam a nossa vida e melhoram a sua qualidade, mas raramente nos apercebemos quão extensivos são os efeitos do desenho no nosso bem estar como indivíduos e como sociedade.

Louis Kahn passou a sua vida demonstrando o poderoso efeito que o desenho do ambiente construído tinha sobre a vida das pessoas. Dizia: “Se olharmos para os Banhos de Caracalla… todos sabemos que é possível banhar-nos tão perfeitamente sob um teto de 2 metros e meio como sob um de 45 metros, mas há algo acerca de um teto de 45 metros que faz de um homem um tipo diferente de homem.”